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É tudo farinha do mesmo saco!

By terça-feira, novembro 19, 2013 ,


    



      Eu já perdi a conta de quantas vezes usei a expressão "farinha do mesmo saco", principalmente para dizer sobre pessoas que em algum momento ou situação, tomaram atitudes que eu desaprovei, achei errado, julguei e sentenciei: "É tudo farinha do mesmo saco mesmo." Convicta da minha assertiva expressão, herdada pelo sangue familiar simplista, chegava a me sentir mais leve ao pronunciar, mas curiosa que sou, queria saber se a origem da expressão faz jus ao sentimento que eu e tantos outros mortais alfabetizados (ou semi) na língua portuguesa querem imprimir com a poderosa frase que, nos faz sentir de certa forma "vingados" pela farinha. 

  Descobri que a expressão "farinha do mesmo saco" tem origem da expressão "homines sunt ejusdem farinae" (são homens da mesma farinha, em latim) e ela era utilizada para generalizar um comportamento reprovável. A metáfora faz referência ao fato de que a farinha de boa qualidade deve ser posta em sacos separados, para não ser confundida com a de qualidade inferior. Assim, utilizar a expressão "farinha do mesmo saco" é insinuar que os bons andam com os bons, enquanto os maus preferem os maus. Ou seja, é dizer que a pessoa 'não presta' e quem está com ela ou sua origem familiar, também não. Mas eu me pergunto, será que o ser humano pode ser considerado um tipo de farinha, comercializável e com qualidades variáveis, de acordo com o gosto do freguês? Acho que pode sim. Já temos teorias para comprovar isso. Vamos gastar fosfato, mas nem tanto. Então, se pensarmos que, fomos feitos do pó da terra... bem justificável. Se separarmos as pessoas por categorias do tipo, boas e más, se pensarmos que a culpa do fracasso do homem é porque alguns são filhos de Deus e outros são filhos do diabo, se pensarmos que o meio em que a pessoa vive é o único fator responsável para formar o caráter desta pessoa. Se pensarmos que identidade pessoal é um documento com foto, e apenas isso. Se pensarmos que todos os homens não choram, que toda mulher gosta de Bárbie, e sonha em esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque, se pensarmos que, a mulher é a culpada por termos dores pré-menstruais devido a mancada da Eva. Bom, se pensarmos nesse nível de profundidade realmente, colocar a humanidade toda dentro de um saco de farinha, é razoável. 


    Expressões de impacto ( encaixo os palavrões nesta categoria) ajudam a aliviar a tensão de um momento, ajudam a prevenir o câncer, afinal câncer é mágoa retida, já dizem alguns pensadores de boteco por aí. Mas, algumas destas expressões trazem consigo uma carga imensa de questões históricas, tradicionais, maniqueístas, que podem nos impedir de alcançar um raciocínio mais profundo. Beira ao ridículo, a um tipo de "preconceito" que ultrapassa questões étnico-raciais e nos leva lá para os feudos da idade média, colocando questões de sobrenome familiar em pauta, assim como as tribos bairristas da pós-modernidade. 


     Eu já vi famílias inteiras serem dizimadas assim: "ta vendo, de fulano de tal não poderia esperar outra coisa, é tudo farinha do mesmo saco", tal como um certo galileu. Fim. Pode jogar o saco fora, não presta. Se assim fosse mesmo, todo alemão seria nazista, todo filho de político obrigatoriamente seria ladrão, todo cristão seria amável, todo budista seria legal, todo brasileiro craque de bola, e toda brasileira seria puta, porque é essa a generalização que nos cabe ao redor do mundo. Cabe aqui um infinito de comparações deste mesmo calão. Ou então, partindo para o óbvio mas, esquecido fator neste tipo de pensamento: todos somos iguais. Porque afinal, somos todos farinhas do mesmo saco. Então, somos todos iguais porque o ser humano vem de um saco só. Não daria então para mensurar quais os tipos de farinhas poderíamos ser. Algo em torno de 7 bilhões de sacos variados, oi? 

    Me lembro neste momento de outra expressão popular, a da bacia. Não jogue fora a água suja da bacia com o bebê dentro. A água está suja mas, o bebê não pode ser descartado como um bocado de água suja. Ele não. Ele tem características únicas, que nenhum bebê no mundo terá. Por exemplo, cada um de nós tem uma digital. Isso já deveria ser evidência suficiente para não nos permitir adotar a expressão em questão, como verdade universal. Somos parecidos, temos semelhanças, e hábitos próximos. Mas não podemos eliminar uma espécie inteira porque, alguém ou alguns não corresponderam nossas expectativas, ou porque existam pessoas cruéis, ou que não se enquadrem (ainda bem) no que eu acredito ser bom. 

    Um aviso: Psicopatas são predadores na nossa espécie, não o padrão geral. Nem todo cidadão é um político brasileiro. Mesmo que tenhamos um potencial grande para isso.

     Para deixar mais claro ainda, eu acho que sim, existem farinhas boas e farinhas ruins. Mas eu disse farinhas, farinhas de trigo. Em relação ao ser humano, acho que ele tem os dois dentro de si. Em alguns momentos seu lado bom pode ser despertado, em outros o seu lado ruim. Depende de quem o toca. E de como o toca. E de quem foi tocado. As vezes, ele apenas não é tocado e age por racionalidade ou irracionalidade. Mas, nada que um bolo de cenoura com calda de chocolate não resolva esse problema de farinha. 

      Deixe a raiva passar e experimenta. Você verá que até a farinha que você acha ruim, pode se transformar em algo bom, saboroso e alegre. Quem sabe, um bolo te toca? Aceita um pedaço?

Si Caetano

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