Diário de uma Lagarta: Poesia
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

9 de janeiro de 2018

terça-feira, janeiro 09, 2018

Uma carta para ela


Arte: Andreia Salvan Pagnan: "Invisible".

Não vou me apresentar, vou direto ao ponto,
leia isso antes de qualquer decisão:

Não se viole. Nem por você mesma!
É que depois que passar o desejo, você vai acordar sozinha
e terá que ser forte para juntar todos os cacos e tocar a vida
Mas acredite: você não terá forças.
Isso vai te sugar até a última gota.

Ferida, sem ninguém, e com a visão distorcida,
você vai tentar se colar inteira. Deprimida.
Vai conseguir, aos poucos. Mas o tempo não vai
te esperar querida, e essa dor dilacerará sua alma.

Não há remédio na vida que apague memórias.
Isso vai mudar você. Você será moída.
Seu pó se misturará ao vento da ausência.
Suas peças não voltarão a ser inteiras.
Serão substituídas.

Remendos feitos na correria pra suportar os dias.
E por falar em dias, eles vão passar devagar
quando você se lembrar de tudo,
e muito rápido quando você conseguir esquecer.
Será um ciclo impiedoso.

Você ficará tão rígida que não terá paciência
para as coisas mais básicas da vida: como se apresentar
a estranhos, ao iniciar uma carta, por exemplo.

É por isso que te suplico: preste atenção ao que eu
não digo. Você sabe do que estou falando.

Se você me perguntar se não haverá nada de bom nisso,
eu respondo: é claro que haverá. No final você vai
ver o melhor daquilo que viveu e vai começar a escrever
pra não perder o sentido. Mas é só isso que sobra no final.

Depois dos sustos, da solidão, da rejeição, do medo.

Você quer ficar com as sobras?
Espero que você entenda, você que está me lendo.
Acolha essas palavras.

Vai por mim, de sobras eu entendo.

Si Caetano🦋 - 09/01/2018

28 de maio de 2016

sábado, maio 28, 2016

A culpa é minha



Sou estuprada a cada 11 minutos.
Minha alma e dignidade são manchadas
a cada segundo.
Não posso mostrar meu rosto
Não posso ter gosto
Não posso ser livre
Não posso andar na rua
Não posso ter desejo algum
Não posso negar sexo
Não posso falar o que sinto
sem que isso pese sobre mim
Não recebo justamente pelo que produzo
sou peso morto ainda que viva
Sou estepe, mercadoria
vitrine, objeto de luxo
Só valho alguma coisa quando
me calo. Quando silencio.
Quando finjo que não incomodo
quando desisto de mim.

Sou culpada de antemão, vadia,
vagabunda, que não sabe
o seu devido lugar.
Que não pode usar a razão.
Sou um buraco que só serve
para  esperma depositar.


Sou a putinha que não se cala
que quer ter direito à fala
que não aceita a supremacia
de um gênero, de um falo
que toma tapa na cara
porque terminou um relacionamento

Enfim, confesso todos os meus crimes,
eu aceito todos os meus defeitos.
Meu maior crime, é ser mulher
meu maior pecado é não ter dono.
Pode me crucificar.


Si Caetano
28/05/2016

20 de abril de 2016

quarta-feira, abril 20, 2016

Floresc(eu)




Finalmente, eu cresci.

Não consigo me reconhecer

nas antigas tolices
que me prendiam ao berço da vida,
o que me faz ninar a mente,
já está no chão
o que me deixa de pé
são os tombos
que ensinaram a levantar.


Finalmente, eu sai do deserto

não sei por quanto tempo

nem sei se estou no rumo certo

não importa, o caminho me faz

estou mais alerta.


Finalmente, eu respiro

o ar da minha identidade

meu RG bate com a foto

que faço de mim mesma

olho no espelho e me vejo

somos amigas - passado e presente.

cortei as daninhas e cultivei

outras sementes

sou fruto dessa colheita

eu por mim mesma

com as podas de mim


Finalmente, esvaziei a mala

aquela cheia de entulho

restos de sentimentos da alma

da paranoia delirante de

viver todos os dias no

mesmo lugar, na mente.


Finalmente, eu sei

sou eu mesma,

sempre fui,

eu não sabia

que cada nuance

era parte integrante

do que eu sou agora

e sempre foi - um leque

de mim.


eu assumo a autoria

Aceite quem puder

quem não puder

não sei... só sei que

nunca mais vou

negar a alegria

de ser quem eu sou

de viver o que eu vivi

de me contentar com

o que ficou.

Eu fiquei, inteira

DESABROCHOU.


24 de março de 2016

quinta-feira, março 24, 2016

Não estou à venda



Enlatados
Eles são bem chatos. 
Querem que eu seja
como eles são. Monocromáticos.
Não dá, eu desisti. 
Eu não caibo no padrão 
não sei fazer à moda 
nasci para ser artesã.
Levo tudo comigo
da raiva ao perdão 
e me refaço.
Não sirvo ao padrão 
sou peça única 
da minha própria coleção

E você acha que pode me comprar?
Não estou à venda 
não sou de coletivos
não me encontrará 
em promoção
não me alinho aos ísmos
não tenho coerência 
não bato continência 
a nada nem ninguém 
não me curvarei 
ao mundo digo não.
Enquanto buscam se encaixar 
eu quebro a caixa
vejo sinal em tudo
mas não me vejo em nada
Meu valor é incalculável
e você ainda acha 
que me comprará com dinheiro? 
Cala boca mundo lixo
seu mercado imundo 
só merece meu desprezo.


22 de setembro de 2015

terça-feira, setembro 22, 2015

Não sou poeta



Não sou poeta
Não precisa medir o que escrevo, categorizar, porque realmente não presta.
Não me interessa a beleza das palavras, me interessa o sentimento que elas espelham. 
Por isso, não posso ser poeta.
Sou escrava das ideias e não das palavras, não posso ser poeta.
Sou pretensiosa: quero lidar com âmagos, não posso ser poeta.
Não me interessa se fez rima, se falou bonito, se é literatura fina, não posso ser poeta.
Não preciso ser chamada de escritora para escrever, não posso ser poeta. 
Ainda sim, escrevo com a poesia. Se essa servir para dizer algo, que diga.
Mas não posso ser poeta e não sou.
Agora posso ser quem sou.
Só uma alma que fala.
Falarei.







24 de abril de 2015

sexta-feira, abril 24, 2015

Quero tudo




Me pego querendo prender.
Prender a sorte, os sonhos e você.
No fundo, queria tudo só para mim.

Quem não quer?
Acho que sim,
pensar que os outros desejam
o mesmo que eu,
justifica meu egoísmo.

Mas logo, passa.
Volto a desejar.

Não quero tudo de uma vez,
porque não sei lidar com estoques.
Mas quero sim, tudo.
Pouco a pouco,
tudo o que a vida tem para me dar.

incluindo você,
do jeito que está
de barba, óculos e besteiras.
Quero tudo
que nosso amor
pode me dar.


Si Caetano 16/07/2013
Atualizado - 24/04/2015

8 de novembro de 2013

sexta-feira, novembro 08, 2013

Dançando com a vida


Eu quis fazer as pazes com a vida
Olhei no fundo dos seus olhos, e fiz o convite
chamei a vida para dançar
Quem sabe assim, ela fica mais próxima a mim
e me convence a aceitá-la?
Ela sorriu de volta e veio ao meu encontro.
Me compliquei nos passos que ela começou a traçar
me embolei, cai e pensei que não conseguiria levar.
Quase desisti, quando a música começou a mudar
cada hora ela pedia um ritmo, e o passo começou a apertar.




Mas ela como mestre na arte de ensinar
me deixou segui-la aos 'trancos e barrancos'
até que eu aprendesse a rebolar.

                    

No final das contas decidi não trapacear
Confessei a vida, disse que não sabia dançar
Ela me olhou profundamente 
Aquele olhar me encheu o coração e então
segurando firme na cintura da vida
dançando com a música que ela pedia, prossegui.

No compasso do tempo, me empolguei
desistir? não mais....
ela não aceitaria a deselegância
de largá-la sozinha no meio do salão.
Inventei essa desculpa, por ela
Já não queria deixá-la 
ansiava pela continuação.

Então, 
Continuo dançando até agora, 
ainda não aprendi. 
Mas isso não é essencial. 
Ela me disse, com seus sorrisos 
e olhos profundos
que o ritmo pode mudar
os passos podem falhar mas, o mais
importante é dela vida, não largar.

Si Caetano

24 de abril de 2013

quarta-feira, abril 24, 2013

Última página do caderno.




Vou alimentar meu coração com suas palavras quando sua presença não puder me dizer nada. Vou me lembrar dos teus olhos quando eu fechar os meus. Sua respiração intercalando com a minha é melhor que ouvir Djavan. Vou sorrir ao lembrar do seu sorriso, sinto seu cheiro mesmo quando passo meu perfume. Vou manter vivo nosso amor durante o dia, para aquecer minha alma à noite. A noite já vem. Mas pra gente, sempre é dia.

Si.Caetano

6 de março de 2011

domingo, março 06, 2011

Os paradoxos da minha fé.



Já fui totalmente de esquerda , 
Já fui totalmente de direita.
Já pensei que o bom mesmo era não ter princípios,

Já briguei com pessoas por não terem nenhum.

Já pensei que compartilhar da mesma fé era suficiente para um relacionamento,

Já descobri que sem respeito e amor nada é suficiente.
Já quis largar tudo e ir para África "cumprir meu chamado".

Já pensei em enriquecer para sustentar quem quisesse ir. 
Já pensei em ser eunuco pelo Reino.

Já tentei construir um lar para ser embaixada de Deus.

Já pulei, cai, gritei, chorei.

Já critiquei todos os que assim o fazem também. 

Já pensei que ser Cristão era ser igual a Cristo.
Já pensei que ser igual a cristo é jamais ser igual a alguns cristãos.
Já achei que Deus me queria no alto do monte. "Separada".
Já me achei na multidão, falando D'ele e sozinha.
Já pensei que nunca mais iria pecar.

Já pensei que nunca mais conseguiria parar de cometer o mesmo pecado.
Já pedi demissão. Já larguei tudo.
Já fui largada.
Já pensei que alguns homens eram diferentes do resto.
Já pensei que todo o resto era igual.
Já ouvi somente "música gospel".
Já descobri que o gospel é bem diferente das boas novas.
Já quis fugir para nunca mais voltar.
Já quis ir para Ele para nunca mais ter que ficar.
Já percebi que quanto mais perto eu vou chegando,
mais difícil e mais prazerosa a caminhada vai ficando. 
Hoje, minha fé se resumiu
Existe um único nome que dá a ela sentido

JESUS.

Autora : Si Caetano
Escrito em 08/10/10



4 de março de 2011

sexta-feira, março 04, 2011

Quero desligar



Quero mesmo é desligar
desligar meus pensamentos
minhas iras, meus anseios.

Quero mesmo é me desligar
me desligar de tudo isso que eu vejo
de tudo aquilo que suspeito
de tudo isso que eu rejeito.

Quero mesmo é me desligar
das cenas que não vejo
dessa doutrina que me cerca de medo
desse deus que me traz desespero.

Quero mesmo é me desligar
das vontades que não podem me saciar
desse fracasso que quer me devorar
dessa falta de graça que não me faz gargalhar

Quero mesmo é me desligar
desse infinito invisível que me consome
desses paradoxos que não me respondem
dessa falta de resposta que me diz em silêncio.

Quero mesmo é me desligar,
estou gastando energia atoa
enquanto não há sintonia
dificilmente a transmissão é boa.


Belo Horizonte,  02/03/11 - 01:22 am



Diário nas Redes

Playlist Spotify

Direitos Autorais

Todo o conteúdo do Diário de uma Lagarta está protegido sob as leis de direitos autorais brasileiras. Portanto, é expressamente proibido a reprodução de qualquer conteúdo autoral em texto, imagem, áudio ou vídeo sem o consentimento da autora deste espaço. O mesmo equivale para o título do blog ou para qualquer elemento da atual identidade visual e gráfica. Caso haja uma violação de respeito ao direito autoral e intelectual, o autor desta infração sofrerá todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis, tendo como base a legislação brasileira vigente.

Créditos das Imagens

Todas as imagens ou conteúdos de terceiros que são utilizadas nas postagens deste blog, estão devidamente informadas do crédito ou da fonte de onde elas foram capturadas via link incorporado. Caso o autor queira que a imagem ou conteúdo seja retirado, basta entrar em contato no e-mail contato@diariodeumalagarta.com.br