20 de maio de 2015

quarta-feira, maio 20, 2015

Dejavu - Um conto de amor meio termo


Lá estava ele, parado bem na frente dela. Em cinco segundos aconteceu tudo novamente só que por dentro. Ela viu todas as cenas que os dois já viveram e poderiam viver,  as boas e as más...
Mais boas do que más inclusive e então a sensação veio. Dejavu.
Com um sorriso bem aberto ele a cumprimenta e ela com um sorriso de lado retribui fechando os olhos para o segredo que ela sabe e determinou que ele nunca saberá. Não, ele não pode saber ainda mais que, está bem e feliz. Então ele diz o quanto foi bom revê-la, o quanto ele está empolgado, o quanto toda aquela historia acabou para ele. Ela sabe que foi a principal responsável por isso, mas se sente culpada. A sensação de dever cumprido, de sacrifício só não foi maior que a sensação de confusão ao revê-lo tão bem e tão, tão lindo. Ela pensa no porque se sente mal, deliberadamente.
Mais uma vez aquele sentimento familiar. Dejavu.
Ela fecha os olhos e por segundos viaja.
É tão estranho reconhecer em alguém tudo aquilo que você admira, conviver com esse alguém e ao mesmo tempo ter coragem para saber que você não é a pessoa que vai fazer esse alguém feliz e então, por saber que o melhor sempre foi e é desistir, deixar assim.
Mesmo sabendo que pode ser a última vez que você conhece alguém assim? Covardia?
Sem lutar, sem dizer, sem ao menos tentar.
É aquele amor meio covarde, cheio de coragem para se sacrificar a qualquer momento em silêncio, sem derramar diante do ser amado uma gota de sangue, mas derramando lágrimas veladas em silêncio nas noites frias, escuras e solitárias. Dejavu. É aquela sensação do quase que mata, e mata á luz do dia, ao raiar do sol, em pleno vigor da juventude, em plena sede de viver, em plena força. Só se tem na boca aquelas palavras coerentes que não fazem coerência com o sentimento, mas é o mais sensato e lógico, afinal que infeliz coincidência, encontrar naquele ser o desencontro de uma grande possível história de amor da qual não se faz parte do núcleo principal, mas sim do núcleo de apoio. Dejavu.
Ela então tira de letra, apesar de estar pensando um milhão de coisas ao mesmo tempo. Soube dissimular como ninguém, na verdade somente dissimulados poderiam viver situações assim. Será que ela deveria colocar tudo a perder para ser coerente? Que nada, ela jamais faria isso. Não naquela situação.  A felicidade dele importa naquele momento muito mais que sua mira torta.
Sem demagogia, ela está feliz.
Apesar do quase... Pelo menos um deles conseguiu se acertar.
Ver o amor acontecer de verdade para alguém é bom, dá esperança faz a gente acreditar que nem tudo são ‘desencontros’.  Continuará então sendo assim, esse sentimento meio termo. Que desde o início já tinha alertas e letreiros dizendo cuidado !
Ela nunca quis sentir isso, mas quem disse que o coração obedece?
Agora se acha covarde.
Mas sabe que não é verdade, renunciar a si mesma foi muito mais coragem que covardia.

No final tudo isso passa. Alias, já passou. Ela abre os olhos novamente e diz:
- Desculpa, onde estávamos mesmo? Você me contava de você né? Bom saber que está tudo bem agora e aqui, conta sempre comigo, afinal melhores amigos, são para isso.

Eu não disse?
Dejavu.
Belo Horizonte, 16/08/2011

14 de maio de 2015

quinta-feira, maio 14, 2015

Urgente: devolva minhas ilusões



A realidade me matou. A ilusão me mantinha com esperança. Ter esperança com consciência da realidade parece quase impossível. Quando eu vejo os fatos sinto medo e um bocado de tristeza. Alegria é impossível quando se tem consciência latente. No máximo, por um momento distraído. Alegria perene, não. A realidade não dá folga. Ela dá no máximo trégua.

Já a ilusão nos dá um outro olhar, vemos mas vemos uma realidade diferente, mais coerente, mais cheia de oportunidades, igualitária, com sentido de plenitude, mais conveniente, mais acolhedora, mais bonita, mais merecedora de crédito. Quem tira a ilusão de alguém, deve saber que está assassinando uma alma atoa. Para que viver consciente neste mundo cão? Onde a realidade brinca com sarcasmo, zomba da nossa boa vontade, e nos humilha mostrando o tempo todo a nossa impotência diante da sua força?

Preciso de uma ilusão, por favor me iluda, com fé, me dê de novo aquela religião forte, que justifica minha pobreza. Não suporto mais ter tanta consciência do mundo sombrio que estamos metidos. Não tenho mais nada a que me agarrar. Não tenho um dogma inquestionável, não tenho uma utopia platônica, não tenho um time infalível, não tenho um dom anormal, não faço nada pela humanidade, não saio de casa com saquinhos plásticos recicláveis, não acredito que os animais sejam melhores que humanos, não consigo achar nos livros a melhor viagem que o homem inventou, não pratico esportes, não quero ser a melhor mãe do mundo, não quero fazer melhor para deixar um legado para outros, não consigo acreditar no futuro, não confio em quem não olha nos olhos, nem em quem não se expõe ao ridículo, nem em quem não sabe rir de si mesmo,  não acredito em boas intenções, não acredito em palavras de ações contrárias, não quero mais escrever um livro, não acho que a família é imaculada, acho que livros de autoajuda são a causa maior da desgraça na terra. E agora?

Talvez eu esteja tendo apenas um dia triste, talvez essa seja minha atual realidade, não sei. Mas, se pudesse dar um grito para o mundo ouvir seria - Ressuscita-me ignorância!




Belo Horizonte, 23/04/2014

4 de maio de 2015

segunda-feira, maio 04, 2015

Oração de quem escreve



Antes de escrever, faço essa oração: 

Quero ser invisível aos olhos do insensato. Aquela gente que só repete e não reflete. 
Que minhas palavras sejam expressões e não armas contra mim mesma, nem contra o outro. Não quero assassinatos com minha escrita, só quero aliviar a alma, só quero expor o que eu sinto, o que calo, o que espalho. 
Que não ajunte sobre mim o peso da má interpretação, nem dos sentimentos, nem dos meus textos, menos ainda dos meus pensamentos soltos. Que as múltiplas possibilidades sejam as primeiras a se apresentar e que, a identidade verdadeira se apresente, sem precisar explicar. 

Que cada um consiga retirar do que escrevo, aquilo que necessita para si. E se não conseguir, que respeite quem conseguiu. Que não entendam cada linha, uma autobiografia do autor, mas que absorvam o dna dele, contido em cada cenário descrito, como o criador ou escondido nas entrelinhas.  

Que espalhem pela rede minhas escritas, mas que digam que são minhas e não usurpem minhas palavras, como se fossem delas. Que não matem minha expressão, dizendo que não me pertencia. 

Que as palavras que de mim saem derrubem o que já deveria ter caído, e que construa o que pode ser absolvido. Que mantenha o que é base. 
Que não falte inspiração.

Que não falte dor, que sobre amor e que mais que livros, eu produza afetos. 

Pois um conjunto de belas palavras não são suficientes para construir um bom texto.

É preciso dizer algo. Que vai além de escrever.
Eu digo inferno, mas queria mesmo era ler céu. 
Já dizia J. Castro. Queria dizer isso também.

Amém. 


3 de maio de 2015

domingo, maio 03, 2015

Choro é sinal de vida




Acumulamos orgulhos e tristezas no coração até entupir a percepção da vida. Quando cai em nós uma gota de consciência e amor, desaguamos esses entulhos em forma de choro, uma copiosa tempestade de lágrimas que saem jogando tudo pra fora. 

Perdemos o ar, suspiramos pesado, balbuciamos grunhidos como se fossem palavras, pedimos socorro a existência, molhamos a camisa e ficamos ali, até secar.

Passado o soluço, mais que de repente, nossa alma responde: agora chega, já me lavei, pode levantar.

Tomamos um banho, um bom café, dormimos e seguimos pela vida. No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, lá estamos nós de novo, a entupir as veias da alma com alguns entulhos, recolhemos os antigos e acrescentamos novos.

Não penso que não aprendemos, penso que enquanto vivermos neste mundo, todo ser de carne há de sagrar. Nem que seja pelos olhos. Quem perde a capacidade de chorar, já morreu ou nunca viveu de verdade. 

Meu desejo sempre será, que nunca percamos a capacidade de 
de chorar. Chorar é se renovar. É se dar chance de limpar, é se arrepender, é ressuscitar. É se afetar. 
Todo ser que tem afeto, se afeta. Afetará. 


Si Caetano  - 03/05/2015

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