24 de dezembro de 2014

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Amada Eva




Eu vim do futuro para te dizer algo importante.  Eu trago em meu ventre esperança para você e seus filhos. O pecado e a morte não terão mais poder sobre ti, o amor veio ao mundo e a terra pode respirar novamente. Aquele que pisará a cabeça da serpente está a caminho.
Sua alma pode sentir?  
Não se sinta culpada pelo passado, não acolha a morte, não se envergonhe de quem você se tornou. Ele resgatará sua alma, pagará o preço da morte com seu corpo, e fará de sua vida eterna em glória, marcará a história. Marcará sua vida, enxugará suas lágrimas, acolherá sua tristeza, chorará com você, com os seus, serão todos dele. Ele vai atrair todos para si. Serão todos um só.
Sua alma pode sorrir?
Eu, bem aventurada que fui, trago boas novas em meu ventre, não estamos sozinhas.
Não seremos destruídas por nossas mazelas. Existe sentido, existe um novo final, existirá e persistirá. Não se cale, Eva. Não a deixem calar.
Sua alma pode ver?
É natal, Eva. Seus filhos não se perderão para sempre. Não aqueles que se lembrarem disso. Se lembrarem do porque de tudo isso, não aqueles que conseguirem crer.  
Ele irá ao encontro de todos eles. Eu orarei por isso.  
Que ele nasça em cada alma, em cada coração, em cada família na terra.

Feliz Natal Eva. Feliz natal Planeta Terra.




Autora do texto: Si Caetano 
Créditos da Imagem:  Crayon and pencil by Sr. Grace Remington, OCSO | Copyright 2005, Sisters of the Mississippi Abbey

18 de dezembro de 2014

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Caçadores de Novidades



















Qualquer pessoa têm sua atenção sua importância e eloquência no primeiro momento. Um esbarrão ou uma pergunta simples é suficiente, qualquer assunto se torna importante para manter aquele instante, onde um estranho passa a ser mais importante que, o familiar.
No meio da rua, no ônibus, na esquina, sozinhos ou não. Nenhuma situação impede que, novas conexões sejam feitas. A despretensão de fazê-las deixam o sabor de acaso, mas a sede em manter novas conexões a todo custo, revela uma necessidade vital. 
Essa ânsia por novidade, só sacia o caçador, que desconhece parceria e profundidade na matilha, como um lobo que se distancia, ao avistar uma presa nova. Não cabem terceiros. É entre eles e a nova presa. Essa fome é por sabores e temperos.  Não é fome do que alimenta e sacia.  Quantos sabores existem? Quantos temperos? 
- Inúmeros. 
Por isso, estão sempre, com fome.  
Infinitamente, seguem pelo acaso das esquinas. Diariamente babando.
Ás vezes conseguem companhia, mas sozinhos na alma. Estão, sempre. Caminham em busca do novo. Nem a melhor das companhias, sacia. O que sacia é o movimento, é a caça, é o jogo. Difícil é acompanhar um lobo, não sendo lobo. Suas companhias são infelizes, porque perdem sua validade, para qualquer novo estranho. Um papo sem importância vale mais que a atenção de quem, já não precisa de papo furado para querer permanecer, pois já desceu pro âmago da presença, valendo-se apenas, da consideração, que passa frequentemente, quando uma nova presa avistada, chega. 
Então, recebem deles apenas, o superficial. Chateiam-se ao os observar, despendendo forças descomunais, às novidades. Por sua vez se cansam, e desejam ser presas. Porque um dia, foram. Mas agora, não servem mais. Seu tempero já é conhecido. 
Bem aventurados aqueles que aprofundam e se saciam nos relacionamentos que tem, pois estes jamais serão chamados e conhecidos por, caçadores de novidades. 
Estes, não acabarão sozinhos e com fome. O angu, arroz e feijão de sempre, lhe são como um baquete. E eles, sentem fome do que tem. Não do que poderiam ter.

Amém.




Si Caetano - Belo Horizonte em Um dia qualquer de observações.

28 de fevereiro de 2014

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

A ira e a desgraça andam de mãos dadas.

Não tenho mais aquela velha e rasa mentalidade de quem acredita na existência de pessoas boas, e pessoas más. Basta uma auto reflexão para eu entender que, como humana sou má e boa. Depende do momento, da minha motivação, daquilo que me estimula, daquilo que me é vital, daquilo que me toca e me domina, daquilo que eu alimento a alma. Mesmo sabendo disso, tento não fazer de um momento ruim, uma maldade que vire um eco e uma desgraça real para além dos meus pensamentos viciosos. Consigo não atingir outros, nem punir outras pessoas por isso, as vezes só eu mesma tomo do meu veneno. Saber do que a gente é capaz quando contrariados, já é castigo suficiente quando temos consciência. 
            A nossa ação é estimulada por pensamentos.  É dentro da nossa cabeça que começamos a criar nossos fantasmas, reis, rainhas, nosso mundo encantado ou desgraçado. Este mundo interno está constantemente sofrendo influências no roteiro, aquilo que nos rodeia fora pensamento, gera um outro pensamento que cedo ou tarde, muda este script. A maioria das vezes, muda para pior, para o pessimismo, para a vingança, para a maldade, para uma ação repentina, para aquilo que não gera vida e muito menos esperança. E não raras as vezes, aquele momento não reflete o contexto geral da nossa história. 
           Um exemplo claro disso, é quando eu estou tranquila no ponto esperando ônibus e vejo outro cidadão xingando, batendo boca com o motorista, sinto que ele está aclamando para eu fazer o mesmo, mesmo que eu não esteja escrevendo aquela historia para mim, naquela hora sinto indignação com o sistema público brasileiro, meus impostos, meu dinheiro e aí, quando vejo já alterei meu script do dia, e quando menos espero, outros que ali estavam fazem figuração, e aquele motorista que é tão vitima do sistema político brasileiro como eu, se irrita com as ofensas e reclamações generalizadas, cansado passa a correr e a desrespeitar os passageiros, até que ele fecha a porta no meio de alguém que estava indo alegremente pra casa  descansar e que não estava se quer a fim de reclamar, porque saiu mais cedo de casa e se preparou para eventuais atrasos. Pronto, o ciclo se encerra com todos nós,  atracados na praia da desgraça. O cenário perfeito para o crime. O descaso público, uma vítima, pessoas indignadas e um culpado (tão vítima quanto).
              Quero dizer aqui que, no que me diz a respeito não quero alimentar este ciclo de desgraça. E acho que, inconscientemente o fazemos, e de diversas formas. A indignação se não direcionada para seus alvos corretos, mata inclusive aquele que a apontou, porque ela se alastra como praga, e gera uma ira incontrolável, a indignação é a prima mais nova da desgraça e a namorada ciumenta da bondade. A indignação é uma mola que, ao ser esticada e solta vai sair batendo em todos os cantos até se estabilizar. 
           Mesmo que o motivo desta indignação seja real e legitimo, eu me preocupo muito para onde estamos caminhando com nossos scripts.  Discursos violentos sendo aclamados, posicionamentos rasos a respeito de tudo sendo levados ao pé da letra como agregadores de valor humano. Não vejo um sorriso gratuito, uma palavra real ( clichê de Facebook não conta) de incentivo ao bem comum.  As pessoas estão se alimentando de crueldade e rindo como se isso fosse seu roteiro principal desde que nasceram.
                 Hoje, as 14:40 pm, eu estava procurando videos para me distrair quando então vi a chamada de um jornal de tv dizendo : preso o homem que empurrou moça no metro da Sé. Fui ver o vídeo por curiosidade, e para tentar entender o que era aquela situação. A repórter perguntou ao homem o porque ele fez aquilo? Se ele conhecia aquela moça de 28 anos, ele respondeu que não a conhecia, mas que o mundo era assim mesmo, injusto, caótico, mau, e que ele não sabe exatamente o motivo da sua indignação, mas que a empurrou e não queria fazer isso, mas fez. Este homem é um cidadão aparentemente lúcido embora muito agitado, segundo o delegado ele escondeu as roupas usadas no crime, o que não demonstra uma atitude de alguém com doenças mentais ( ex: esquizofrenia), mas que a família se quiser pode levar laudos de médicos para então ser cogitada esta hipótese. 
               O fato aconteceu dia 26/02/2014, era aniversário dela, estava completando 28 anos. A moça por ironia da vida não morreu, mas teve um dos braços amputados. E como será que ela vai reagir a isso tudo? Indignação é o que ela deve estar sentindo agora, o que ela tinha a ver com o sentimento e o script escrito por este homem? Nada. Só foi a vítima do que ela nem sabe. Ela, no hospital perguntou ao namorado: e agora? como vou fazer sem um braço? Ele a respondeu, você continuará sendo a mulher mais importante e linda para mim.
             Eu senti tristeza, chorei e vim escrever estas linhas. Talvez essa seja a minha forma de não contribuir para a desgraça generalizada que assola nossas histórias. O amor tem que vencer.

19 de fevereiro de 2014

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Odeio corretor ortográfico ambulante.







             Detesto corretor ortográfico, porque ele sabe corrigir mas não garante o sentido das minhas palavras. Me aponta palavras equivalentes, mas que não traduzem o sentimento da minha frase. Chega a ser constrangedor algumas vezes, quem nunca passou vergonha por causa de alguma palavra corrigida e substituída automaticamente pelo corretor?  Você iria escrever padaria e ele substitui por peitinhos. Silêncio. É hora de disfarçar e dizer : maldito corretor ! Mas não bastasse termos que lidar com a parte chata de querer escrever certo no celular, surge uma nova modalidade de pessoas. Os corretores ortográficos, ambulantes. Não existe nada mais chato, que uma dessas pessoas na roda de conversa. Os corretores ortográficos modo ambulantes, querem doutrinar as pessoas. Como se fosse um pecado mortal errar. Não é. Repito, não é.  E quando se trata de erros grotescos, não é ficar escrevendo texto criticando que vai resolver o problema. Tira seu certificado de professor de português vai para sala de aula, e resolva o problema do Brasil, porque o buraco é muito mais embaixo. 

                Um bom texto é muito mais que um conjunto de belas palavras escritas corretamente.

            O que a maior parte destes não sabem é que dentro das universidades existem pesquisa sobre este tema, onde se discute muito a respeito de não existir certo ou errado quanto a fala por exemplo, e quanto ao texto, dependendo aonde ele foi vinculado, é até compreensível o uso de certas linguagens, fora a norma culta.

            Percebo muito nas redes sociais uma forma peculiar de escrita, além de ser um "lugar" diferente do escritório onde trabalho, a de se considerar os deslizes na escrita  como resultados também de fatores como: celular, teclinhas pequenas, touchscreen, ônibus balançando e outras aleatoriedades que a mobilidade nos infligem.

             Será que é tão difícil ser menos cruel com questões tão "estéticas"?  O propósito da escrita é comunicação. Em ambientes que requerem formalidades, como o ambiente escolar, empresarial, entre outros, o rigor é compreensível e imprescindível, mas quando vejo os "excessos" da classe de bem, politizada, que gosta mais de leitura que das pessoas a sua volta me pergunto, quem consegue conviver com gente assim por perto?

                Sou a favor de "corrigir" pessoas quanto à ortografia em um caso específico: quando o sentido do que se escreveu/falou ficou comprometido, fora isso, acho de extremo mau gosto expor a pessoa. Tenho a impressão que algumas destas pessoas que corrigem outras em público, fazem apenas pelo prazer de mostrar superioridade. A norma culta existe para padronizar o texto público, facilitando a comunicação, mas quando se trata da fala, não existe uma norma. Temos aqui no Brasil por exemplo, várias derivações da mesma língua, o que chamamos de regionalismo. No sul se fala tu, em minas ocê. Você vai me corrigir por isso? Eu sou mineira, uai.

              Tenho um pessimismo guardado aqui no peito, eu acho que a chatice piegas dominou as pessoas. Neste ponto, só o bom senso não resolve. Quem é chato, é mió deixa de lado.

                Corrija meu silêncio. Ou meu texto. Mas, você entendeu bem o recado, né?


 Indignada com o politicamente correto burro.

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