29 de maio de 2016

domingo, maio 29, 2016

BÁRBAROS



Não existe lado quando o que está em jogo meus amigos, é a preservação da dignidade humana. Pelo menos nisso, todos deveriam concordar. Essa relativização explícita sobre a dignidade do outro, diz muito a nosso respeito. Diz que tipo de sociedade estamos construindo. Assistimos filmes épicos e vemos barbáries como se fossem tão distante. Quanta ilusão, estamos consentindo pequenas barbáries diariamente.
Barbárie é uma sociedade entregue ao instinto animal, que até faz uso da razão mas apenas para relativizar a violência, faz uso de falácias, atacam a procedência moral da vítima, questionam se ela é digna de receber cuidados, espezinham o passado dela para encontrar alguma brecha que caiba dentro do discurso mais fácil que alivia para todo mundo e que conserva o problema para se perpetuar. Mas tem um outro viés também, a barbárie é como um monstro faminto, ela cresce, e ela sobe coberturas, destranca portões de ouro, e ela certamente não poupará ninguém de sua fome.
Pense bem, uma sociedade só evolui quando em conjunto, estabelece regras e leis que favorecem sua preservação e antes de tudo, a dignidade humana. Cuidado com os discursos rápidos, que relativizam o absurdo para tentar esconder o que já sabemos, o ser humano é potencialmente perigoso, para si e para os outros mesmo quando tem apoio, educação, conhecimento, formação, e valores. Precisamos ensinar mais do que isso, precisamos dar valor a vida do outro, esse egocentrismo que nos consome vai desgraçar nossa espécie.
Pensem bastante amigos. Estamos vivendo dias extremamente delicados. E confesso que estou desconhecendo pessoas que achava conhecer, é nos momentos de crises que nos revelamos. 
Mais uma coisa, se uma mulher transou com 1.000 caras durante toda a sua vida, de uma vez, ela tem esse direito sobre seu corpo, se ela consentiu, okay. Mas se ela disse não a um cara, é estupro. O corpo dela é privado, só "entra" quem ela quiser. Não relativizem a barbárie. Não se deixem levar pela indignidade que consome a violência.

Si Caetano - 29/05/2016

28 de maio de 2016

sábado, maio 28, 2016

A culpa é minha



Sou estuprada a cada 11 minutos.
Minha alma e dignidade são manchadas
a cada segundo.
Não posso mostrar meu rosto
Não posso ter gosto
Não posso ser livre
Não posso andar na rua
Não posso ter desejo algum
Não posso negar sexo
Não posso falar o que sinto
sem que isso pese sobre mim
Não recebo justamente pelo que produzo
sou peso morto ainda que viva
Sou estepe, mercadoria
vitrine, objeto de luxo
Só valho alguma coisa quando
me calo. Quando silencio.
Quando finjo que não incomodo
quando desisto de mim.

Sou culpada de antemão, vadia,
vagabunda, que não sabe
o seu devido lugar.
Que não pode usar a razão.
Sou um buraco que só serve
para  esperma depositar.


Sou a putinha que não se cala
que quer ter direito à fala
que não aceita a supremacia
de um gênero, de um falo
que toma tapa na cara
porque terminou um relacionamento

Enfim, confesso todos os meus crimes,
eu aceito todos os meus defeitos.
Meu maior crime, é ser mulher
meu maior pecado é não ter dono.
Pode me crucificar.


Si Caetano
28/05/2016

6 de maio de 2016

sexta-feira, maio 06, 2016

Relações

sexta-feira, maio 06, 2016

SABOTAGEM



A gente sabe o que tem que ser feito. Se promete lealdade. Coloca no papel, pensa em como fazer, vislumbra os resultados, suspira. Organiza tudo, começa a semana arrumando armários, exclui mensagens velhas na simbologia de poder limpar memórias internas, reflete sobre os desejos, pondera, renega, se segura, não exagera, você sabe o que tem que ser feito. 


Dorme, e no outro dia esquece tudo.

Abre os olhos como se não soubesse a que veio, só lembra do que foi suprimido pelo bom senso, não faz o que tem que ser feito, enrola, mexe no celular, enrola, não abre o caderno para checar as anotações, enrola mais um pouco, deixa crescer a sensação de incomodo, deita, mexe no celular de novo, não come, levanta mais uma vez agora com esperança de começar o dia, já são meio dia, almoça. Cochila, mexe no celular, procura as mensagens antigas, restaura as apagadas, checa mágoas, fuça páginas, enrola. Chegou. São 17:00pm. Nada foi feito. Mas agora você começa a fazer tudo o que deveria ter sido feito às 09:00am. Não dá tempo. Desespero, urgência. Ansiedade domina, vem o descompasso. Qualquer vírgula pode ser mal recebida, instala-se o caos. Tudo isso porque não obedecemos a primeira regra - não se sabote jamais.




3 de maio de 2016

terça-feira, maio 03, 2016

Desafio



Nosso desafio é além de não odiar, ter paciência com as pessoas. 
Paciência quando elas não entendem nosso lado, quando abusam da prerrogativa que tem de expressão ao defender suas verdades. 


Nosso desafio é ainda sim, querer diálogo, sustentar a convivência minimamente sadia, não desanimar de viver e acreditar que conviver embora difícil, é o único jeito de sermos mais humanos. 

Tem hora que dá vontade de recolher todos os nossos rastros, e privar o mundo da nossa companhia, não que ela valha alguma coisa, é por achar que não vale nada mesmo, mas vale. 

Cada um de nós têm algo único a dizer ao mundo, mas quem quer ouvir? Quem quer permitir que o outro fale? 

Nosso desafio é comunicar, com eficiência. Tudo o que temos tido são ruídos, tudo o que precisamos é sintonizar melhor nossa frequência. Eu vou tentar mais uma vez. Tente também.




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