22 de setembro de 2015

terça-feira, setembro 22, 2015

Não sou poeta





Não sou poeta
Não precisa medir o que escrevo, categorizar, porque realmente não presta.
Não me interessa a beleza das palavras, me interessa a ideia que elas professam. Por isso, não posso ser poeta.
Sou escrava das ideias e não das palavras, não posso ser poeta.
Sou pretensiosa: quero mexer com âmagos, não posso ser poeta.
Não me interessa fazer rima, falar bonito, ser literatura fina, não posso ser poeta.
Não preciso ser chamada de escritora para escrever, não posso ser poeta. 
Ainda sim, escrevo poesia. Se essa servir para dizer algo, que diga.
Mas, não posso ser poeta e não sou.
Agora posso ser quem sou.
Só uma alma que fala.
Falarei.

A Lagarta - Si Caetano

15 de julho de 2015

quarta-feira, julho 15, 2015

Sonhos e impossíveis, é possível?




O mundo está cheio de gente sonhando com os impossíveis, enquanto a realidade clama por alguém consciente para vivê-la. O impossível muitas vezes, é o possível que não tentamos fazer, porque estávamos ocupados demais sonhando à luz do dia ou queixando da realidade. 

Sonho impossível para mim não é algo que pode se materializar na minha frente com meu cartão de crédito, com meu esforço. Sonho impossível para mim é a utopia, é a paz universal, é a poesia perfeita, é a cura da doença, é o que meu dinheiro jamais conseguirá comprar, ou minhas mãos jamais conseguirão realizar. Esse sonho, eu tenho sempre, e é ele quem me permite acordar, mais um dia. Não é disso que falo. Eu falo é do impossível fabricado para prender você. Do sonho plantado na sua mente pelo comércio barato do impossível vendido como milagre de fé. Sabe, eu conheço muita gente que fabrica milagres, que quer descobrir um novo jeito de ficar rico do dia pra noite, e que quer mostrar para todo mundo que conseguiu realizar seu grande sonho mesquinho. Quem vive a vida tentando descobrir mágicas e fórmulas para se dar bem, acaba como um mágico de quinta categoria, frustando-se por não encontrar, frustrando quem caminha ao lado, por não ter segurança da sua companhia ou conseguindo, e vendendo sua alma. 
Temos que sonhar sim à noite, de dia temos que realizar o que é prático. A luta pelo sonho impossível, pode alimentar nosso coração de esperanças por um tempo, mas quando acordamos e contabilizamos o desgaste e a desmotivação da espera, todos os nossos sentidos gritarão pelo possível e então, veremos que ele era a realização das nossas necessidades reais, e isso bastava para me sentir feliz. O possível nos satisfaz porque ele acontece. Eu digo que, no jogo da vida, todos os dados foram lançados, tudo é possível. Todas possibilidades estão abertas. Mas, eu não posso passar uma vida inteira lamentando a não realização dos meus sonhos se eu mesma, não faço nada para que ele aconteça. E tem mais, o que eu tenho sonhado? 
O mundo precisa de gente que queira lutar para viver o que é possível primeiro,  antes de sonhar com o carro zero, já tirou sua carteira?  Coisa prática, passos simples. 
Teve uma época que, eu me infelicitei muito por sonhos realmente impossíveis, como por exemplo não conseguir mudar o mundo, mas daí eu parei e pensei: cara, isso é minha linha no horizonte, é só para eu continuar a caminhar, não para me desmotivar e me estagnar. Mudei meu olhar, agora quero mudar meu mundo interior e  quando consigo, ( o que é bem mais fácil) me sinto realizada. Coisas práticas, passos simples. 

É possível viver bem andando pela vida, com nossos pés no chão e com o coração nas nuvens. A vida sem truques, é mais digna e  ainda sim, sempre nos reservará surpresas. Ela por si só, já faz sua mágica. Submeta-se a realidade, viva a simplicidade. Essa vida real e palpável é sonho de muita gente. Conseguir agradecer por isso, acho que é o verdadeiro milagre. 


9 de junho de 2015

terça-feira, junho 09, 2015

O que dizer sobre amor platônico?



São aqueles olhares que não se cruzam, mas um deles, observam atentamente. O amor platônico é o encontro de um só. É um ser dizendo que encontrou seu grande tesouro enquanto o outro nem sabe se queria ser encontrado por quem o achou. É o desencontro dos olhares, onde o olhar que foi encontrado não percebe que outros olhares os observam fixamente, ardentemente. 
São devotos do amor platônico, na maioria observadores e com um certo íma para encontrar no desencontro dos olhares aquele ‘amor perfeito’ que existe dentro da imaginação equivocada de todos nós. Não sei se por sina ou escolha racional mesmo (embora isso seja difícil) acabam sempre sendo atraídos por pessoas que seus olhares indicaram como sendo seus possíveis amores impossíveis, pois assim são os amores platônicos, impossíveis de serem vividos pois na maioria dos casos o ser amado não sabe que o é , não faz nem ideia e provavelmente nunca saberá mesmo. 
É aquela admiração secreta, muda, velada. O ser admirado muitas vezes é visto como um semideus acima da média humana, imortal e por isso a impossibilidade de correspondência seja tão forte nesse tipo de “amor”
É aquele choro escondido ao saber que seu “grande amor” conheceu um grande amor e não se tem coragem de dizer nada pois pensa-se com aquela ‘certeza absoluta’ que nunca será correspondido por achar que o ser amado é ‘demais’ para si ( na imaginação) e tudo acontece lá dentro, o encontro o primeiro beijo, tudo isso dentro de um campo de batalha constante que é a mente humana.
Amar dentro da mente é mais cômodo, prático e fácil. Amar no dia a dia é difícil, manter a admiração por alguém que se conhece por inteiro, saber de todos os defeitos e qualidades e ainda responder sim para o amor é coisa de gente grande, de alma limpa e coração nobre. O amor platônico nos deixa meio covarde, na verdade um covarde e meio.
Quem tem um amor platônico no fundo sabe que a correspondência desse amor significa o fim do amor, toda a perfeição que foi criada será esmagada pela realidade e então talvez por isso a possibilidade desse ‘amor acontecer’ seja descartada, na maioria dos casos prefere-se a fantasia, o sonho, o filme, os contos, escrever sobre ele é bem mais seguro do que todas as verdades de um amor possível, é mais confortável assim.
Mas deixar o ser livre para outro amado, se ver fora da possibilidade de correspondência, sabendo que não é parte daquilo que o “encontrado” deseja encontrar, dói.
E não tem como escapar, se é amor mesmo que platônico... tem que doer.


Belo Horizonte, 02/08/2011

4 de junho de 2015

quinta-feira, junho 04, 2015

Entre ausências e sumiços



A importância das pessoas se reconhece nos dias de folga, não nos dias de trabalho e ocupações. 
Quando pode-se desfrutar do ócio ou da diversão é que lembramos de quem realmente queremos ao nosso lado, apesar de não termos nada pontual para resolver.
Porque é aí que a companhia se dá, pelo significado que ela tem, não pelo benefício que ela pode proporcionar em momentos de caos.
É nesta lógica também que entendemos os sumiços repentinos daqueles que nos dias de feira nos achou boa companhia mas nos dias de descanso, não significamos o desejo de estar.
Esta é a liberdade bonita dos relacionamentos. Tal liberdade que também um dos lados tem para não se permitir tal utilidade oportunista.
Aonde não sentir amabilidade e reciprocidade, não espere. Vá embora, escolha sua companhia voluntária. Aquela que também deseja fazer até nada, mas ao seu lado.
O resto é parasita.
Vai cuidar do seu jardim. Tem outras plantas precisando de água.
Outras que irão te agradecer com um sorriso, em forma de flor.
Algumas farão questão de regar você também.

Já as parasitas se sugarão sozinhas, até secar. 
Não há nada que você faça para evitar. 
É a natureza delas.

18 de novembro 2014

27 de maio de 2015

quarta-feira, maio 27, 2015

Cafajestes x Babacas = Qual é o menos pior?





Costumo dizer que entendo perfeitamente porque algumas mulheres preferem a companhia de um cafajeste a de um babaca. Existe uma diferença sutil mas que faz toda a diferença na hora que uma mulher escolhe dar chance para um homem se aproximar, dar passos adiante ao encontro. E não pense você que a mulher não sabe com quem ela está lidando, porque ela sabe sim. No fundo, ela sempre soube que aquele rapaz bonito, simpático, atencioso, inteligente, galanteador e provocante era um cafajeste. Sabemos sim, sabe porque? Porque se ele fosse tudo isso dificilmente estaria sozinho, se está sozinho é porque escolheu estar, e homens perfeitos não existem...assim como mulheres perfeitas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Acontece que está aí a marca do cafajeste : embora não se possa levar nada do que ele diz a sério, ele pelo menos pensa para dizer, pelo menos ele articula, usa o cérebro, é criativo e na maioria das vezes te faz sentir como se fosse a única, mesmo que seja só naquele momento. E se a mulher é carente, é caixão e vela branca. Mais uma para a lista extensa desta espécie que não entra em extinção nunca. Se ela achar que ele vai levá-la ao altar, coitada. Coitada. O máximo que pode acontecer é mais um encontro e olhe lá. A realidade é que o cafajeste é um excelente amante. E fisga a mulher pelo ponto fraco, o romantismo. Não estou fazendo discurso em prol de cafajestes, OK? Mas...se a mulher for mulher ela vai saber o que quer para si, e não vai ser Alice no País da Maravilhas. Agora se ela ainda acreditar em princesas e príncipes vai continuar beijando sapos na esperança de que a 'magia' uma hora funcione. Acorda Alice. E o babaca? Bem, o babaca, é um babaca ! É o cara que embora seja aparentemente legal é um cafajeste sem inteligência , sem articulação, é o famoso mané, que só dá bola fora! É aquele cara que só fala dele, só se interessa por ele, é o cara que acha ruim quando se aproxima de uma mulher e ela não dá oportunidade dele avançar e ainda acha que está fazendo demais em dizer : oi gata. É o cara que puxa o braço de uma mulher em um lugar público até torcer porque ela não quis beijá-lo a força. Babaca é aquele ex que te chama para conversar e fala para você que está pegando “fulana” porque a fila tem que andar. Babaca é aquele que diz para você que você o atraiu de uma forma especial e repete o mesmo discurso para sua amiga gostosa. Babaca é o cara que faz você sentir que tem algo errado com você, quando na verdade ele é quem está fazendo tudo errado. É aquele que quer falar mais alto que você na roda de amigos, que te desmente na frente da família, que te xinga no caixa da padaria porque você não escolheu o pão do jeito que ele queria. Babaca é o cara que faz questão de dizer para você que fulana que hoje é famosa, já foi namorada dele, e que a filha do pastor x também, e do pastor y também, e que a melhor amiga dele no fundo é louca por ele. Ou seja : o babaca nada mais é do que aquele cara inseguro, imbecil e sem assunto que para se autoafirmar, usa as pessoas, os carros, os amigos famosos e ricos, os elogios que um dia ele recebeu, e se possível vai usar você também. E esse ser desprezível que na maioria das vezes também é um péssimo amante. Enfim. Acho que pode se aplicar para ambos os sexos, mas falo do que sei, vejo, ouço e vivo.

Por fim, faço apelos : 
1 - Mulheres, fujamos de ambos. Até que o item 3 ouça meu apelo. 
2 - Homens Não sejam babacas. 
3 - Cafajestes : Sejam monogâmicos para nosso bem. 
4 - Babacas : Se explodam. 


 Simone Caetano.

14 de maio de 2015

quinta-feira, maio 14, 2015

Urgente: devolva minhas ilusões



A realidade me matou. A ilusão me mantinha com esperança. Ter esperança com consciência da realidade parece quase impossível. Quando eu vejo os fatos sinto medo e um bocado de tristeza. Alegria é impossível quando se tem consciência latente. No máximo, por um momento distraído. Alegria perene, não. A realidade não dá folga. Ela dá no máximo trégua.

Já a ilusão nos dá um outro olhar, vemos mas vemos uma realidade diferente, mais coerente, mais cheia de oportunidades, igualitária, com sentido de plenitude, mais conveniente, mais acolhedora, mais bonita, mais merecedora de crédito. Quem tira a ilusão de alguém, deve saber que está assassinando uma alma atoa. Para que viver consciente neste mundo cão? Onde a realidade brinca com sarcasmo, zomba da nossa boa vontade, e nos humilha mostrando o tempo todo a nossa impotência diante da sua força?

Preciso de uma ilusão, por favor me iluda, com fé, me dê de novo aquela religião forte, que justifica minha pobreza. Não suporto mais ter tanta consciência do mundo sombrio que estamos metidos. Não tenho mais nada a que me agarrar. Não tenho um dogma inquestionável, não tenho uma utopia platônica, não tenho um time infalível, não tenho um dom anormal, não faço nada pela humanidade, não saio de casa com saquinhos plásticos recicláveis, não acredito que os animais sejam melhores que humanos, não consigo achar nos livros a melhor viagem que o homem inventou, não pratico esportes, não quero ser a melhor mãe do mundo, não quero fazer melhor para deixar um legado para outros, não consigo acreditar no futuro, não confio em quem não olha nos olhos, nem em quem não se expõe ao ridículo, nem em quem não sabe rir de si mesmo,  não acredito em boas intenções, não acredito em palavras de ações contrárias, não quero mais escrever um livro, não acho que a família é imaculada, acho que livros de autoajuda são a causa maior da desgraça na terra. E agora?

Talvez eu esteja tendo apenas um dia triste, talvez essa seja minha atual realidade, não sei. Mas, se pudesse dar um grito para o mundo ouvir seria - Ressuscita-me ignorância!




Belo Horizonte, 23/04/2014

4 de maio de 2015

segunda-feira, maio 04, 2015

Oração de quem escreve



Antes de escrever, faço essa oração: 

Quero ser invisível aos olhos do insensato. Aquela gente que só repete e não reflete. 
Que minhas palavras sejam expressões e não armas contra mim mesma, nem contra o outro. Não quero assassinatos com minha escrita, só quero aliviar a alma, só quero expor o que eu sinto, o que calo, o que espalho. 
Que não ajunte sobre mim o peso da má interpretação, nem dos sentimentos, nem dos meus textos, menos ainda dos meus pensamentos soltos. Que as múltiplas possibilidades sejam as primeiras a se apresentar e que, a identidade verdadeira se apresente, sem precisar explicar. 

Que cada um consiga retirar do que escrevo, aquilo que necessita para si. E se não conseguir, que respeite quem conseguiu. Que não entendam cada linha, uma autobiografia do autor, mas que absorvam o dna dele, contido em cada cenário descrito, como o criador ou escondido nas entrelinhas.  

Que espalhem pela rede minhas escritas, mas que digam que são minhas e não usurpem minhas palavras, como se fossem delas. Que não matem minha expressão, dizendo que não me pertencia. 

Que as palavras que de mim saem derrubem o que já deveria ter caído, e que construa o que pode ser absolvido. Que mantenha o que é base. 
Que não falte inspiração.

Que não falte dor, que sobre amor e que mais que livros, eu produza afetos. 

Pois um conjunto de belas palavras não são suficientes para construir um bom texto.

É preciso dizer algo. Que vai além de escrever.
Eu digo inferno, mas queria mesmo era ler céu. 
Já dizia J. Castro. Queria dizer isso também.

Amém. 


3 de maio de 2015

domingo, maio 03, 2015

Choro é sinal de vida




Acumulamos orgulhos e tristezas no coração até entupir a percepção da vida. Quando cai em nós uma gota de consciência e amor, desaguamos esses entulhos em forma de choro, uma copiosa tempestade de lágrimas que saem jogando tudo pra fora. 

Perdemos o ar, suspiramos pesado, balbuciamos grunhidos como se fossem palavras, pedimos socorro a existência, molhamos a camisa e ficamos ali, até secar.

Passado o soluço, mais que de repente, nossa alma responde: agora chega, já me lavei, pode levantar.

Tomamos um banho, um bom café, dormimos e seguimos pela vida. No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, lá estamos nós de novo, a entupir as veias da alma com alguns entulhos, recolhemos os antigos e acrescentamos novos.

Não penso que não aprendemos, penso que enquanto vivermos neste mundo, todo ser de carne há de sagrar. Nem que seja pelos olhos. Quem perde a capacidade de chorar, já morreu ou nunca viveu de verdade. 

Meu desejo sempre será, que nunca percamos a capacidade de 
de chorar. Chorar é se renovar. É se dar chance de limpar, é se arrepender, é ressuscitar. É se afetar. 
Todo ser que tem afeto, se afeta. Afetará. 


Si Caetano  - 03/05/2015

24 de abril de 2015

sexta-feira, abril 24, 2015

Quero tudo




Me pego querendo prender.
Prender a sorte, os sonhos e você.
No fundo, queria tudo só para mim.

Quem não quer?
Acho que sim,
pensar que os outros desejam
o mesmo que eu,
justifica meu egoísmo.

Mas logo, passa.
Volto a desejar.

Não quero tudo de uma vez,
porque não sei lidar com estoques.
Mas quero sim, tudo.
Pouco a pouco,
tudo o que a vida tem para me dar.

incluindo você,
do jeito que está
de barba, óculos e besteiras.
Quero tudo
que nosso amor
pode me dar.


Si Caetano 16/07/2013
Atualizado - 24/04/2015

9 de abril de 2015

quinta-feira, abril 09, 2015

Invisível




Era uma tristeza invisível, mas palpável
queria que ela sumisse,
mas não podia. 
ninguém tem esse poder
de não se sentir
Invisível?

No silêncio das palavras já ditas, pensamentos.
A coerência própria de achar saber as respostas. 
O desrespeito marcado repetidas vezes
em descuidos e desculpas erradas,
no momento certo
para destruir a alma.
Ela volta assim.

Abriu de novo.
Sabe aquela cicatriz que estava aqui?
Ela abriu. 
Foi só um esbarrãozinho,
que quase ninguém viu.

Invisível. 
Não se espera nada do invisível.
Nada se sabe,
nada se vê
Apenas doía
da minha alma,
quem quer saber
além de mim? 

não tive escolha
 deixei doer
Até esquecer
a marca,
o esbarrão.
e você.


Me perguntam
E a vontade de se curar, moça? 
era de que?
De se sentir invisível doutor.
A alma da gente, ninguém quer ver.



Si Caetano
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19 de fevereiro de 2015

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Corações de mãos dadas




A intimidade do casal é exposta ao dar as mãos em público. É muito mais erótico que um beijo. 
Dar as mãos vai além de entrelaçar dedos, é trocar calor. É sentir a pulsação do outro, que naquele momento intencionalmente, se aproximou de você. Quando amamos, dar as mãos traz para o visível uma disposição mental, uma decisão que existe no invisível. É uma sensação de prazer inegociável, darmos as mãos à aquela pessoa que nos habita por inteiro. Pensamentos intenções, atos e negações. Um casal que não da as mãos, provavelmente não está de mãos dadas no amor. 


Eu, não percebia nada disso, antes das minhas mãos encostarem as mãos dele. Hoje, eu estou contando os dias para voltar a dar as mãos fisicamente. Porque no mais, nossas mãos nunca se soltaram. Nem a 2.000 quilômetros de distância. 


Si Caetano - A Lagarta 


6 de janeiro de 2015

terça-feira, janeiro 06, 2015

O Chato



O chato não se importa de ser. 
Geralmente, é simpático. Quer se mostrar útil.
Oferece serviço, produtos, soluções, teorias e tem sempre uma caneta na mão para emprestar. Tem sempre uma palavra supimpa para dar, sobre aquilo que você não perguntou.

É aquele ser que as pessoas dispensam, porque precisar dele é ter que aguentar sua presença insistentemente desagradável. 

O chato não sabe o valor do silêncio, fala incansavelmente por horas a fio e descaradamente te pergunta se está incomodando.

Desconfiômetro não veio de série.

O chato, é o dono da loja que vive contando suas infinitas histórias de viagens enquanto você está doido para pagar sua conta e ir embora. É aquele parente que tem coragem de dizer a meu respeito para o fulano ao lado, como se eu não estivesse presente. 

É o mestre da piadinha sem graça, é o espanta bolinho. É ele chegar para cada amigo inventar uma desculpa e ir embora, tudo em questão de segundos. 

Cuidado, se um ser que você desconhece a procedência, te abordar com "desculpa, não quero ser chato". 

Fuja. Está na frente de um. 

E cá para nós, não é que ele não quer ser chato, ele só não quer que você descubra logo de cara. 

Cara, como é chata sua existência. 
Vê se me erra e acerta alguma coisa.
Nem que seja a hora de ir embora.
Já deu. Já foi?

Autora: Si Caetano

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