13 de junho de 2019

quinta-feira, junho 13, 2019

TEXTO PRA GENTE FELIZ IGNORAR

Foto de Ryan McGuire

Servir bem é minha escravidão voluntária.
Decidi me contentar com o que já sei.
Não sei nada de mim, quanto mais do outro.
Talvez eu me sairia melhor se não fizesse algo genuíno
É que quando a gente vê de que peça é feita a vida
parece que tudo faz parte de um teatro mal feito.
Não sirvo nem para fingir, a mentira que vivo é verdadeira.

Não é o mundo, não são as pessoas, sou eu.
Já notei que tem gente muito bem, feliz, sorrindo.
E eu, embora também tenha meus momentos de riso,
continuo pensando que aqui não foi feito pra fazer sentido
Muito menos para sentir. Isso aqui é selva, tentando ser poesia.
Nascemos no susto, morremos assustados.
Crescemos sem respostas, vivemos sem poder questionar
Pergunte e logo vão querer te calar. É insuportável saber
o que a gente acha que já sabe!

A sensação de que não existe um final feliz é muito cruel.
Neste momento, penso que um final digno e respeitoso já é suficiente.
Mas isso também é querer demais. Cair na mão do tempo, da vida,
dos homens, da sociedade, das pessoas, da natureza?
Essas entidades que só têm boca e fome? E o que dizer de Deus?
Esse ser que é um mosaico de tudo o que não conseguimos responder,
não. O silêncio que vem do alto já nos diz muito.
Já disse que não consigo fingir? Pois é.

Eu juro que ainda tento, faço o que está ao meu alcance,
não só ao meu alcance, faço o que eu não alcanço também.
Invisto a totalidade da minha força em tudo que faço parte.
Parti aos extremos, fui ao meio me equilibrar. Cai. Levantei.
Agora me curvo, mas não deito. Embora a vontade de dormir
sempre é maior do que a vontade de acordar. 
Falaram das minhas habilidades, falaram não, eu achei que
eram minhas, fui lá no fundo buscar e perdi tempo, não sei nadar
em expectativas. Voltei com as mãos sujas, revirada, coração cheio de vazio.
Eu não sirvo para me avaliar. Meus olhos já me condenaram.
Quem irá me salvar de mim mesma?


Si Caetano - 15/06/2019







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