28 de maio de 2016

A culpa é minha



Sou estuprada a cada 11 minutos.
Minha alma e dignidade são manchadas
a cada segundo.
Não posso mostrar meu rosto
Não posso ter gosto
Não posso ser livre
Não posso andar na rua
Não posso ter desejo algum
Não posso negar sexo
Não posso falar o que sinto
sem que isso pese sobre mim
Não recebo justamente pelo que produzo
sou peso morto ainda que viva
Sou estepe, mercadoria
vitrine, objeto de luxo
Só valho alguma coisa quando
me calo. Quando silencio.
Quando finjo que não incomodo
quando desisto de mim.

Sou culpada de antemão, vadia,
vagabunda, que não sabe
o seu devido lugar.
Que não pode usar a razão.
Sou um buraco que só serve
para  esperma depositar.


Sou a putinha que não se cala
que quer ter direito à fala
que não aceita a supremacia
de um gênero, de um falo
que toma tapa na cara
porque terminou um relacionamento

Enfim, confesso todos os meus crimes,
eu aceito todos os meus defeitos.
Meu maior crime, é ser mulher
meu maior pecado é não ter dono.
Pode me crucificar.


Si Caetano
28/05/2016

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