14 de novembro de 2020

Fragmento de sanidade


Ter múltiplas potencialidades parece ser mais um erro que uma solução criativa para problemas que não teríamos: é que embora a gente saiba que o presente é uma malha tecida por diversidade, somos filhas da lógica industrial linear, pseudo-segura, homogênea e sem espaço para novidades falhas. E quem garante acerto sem tentativa e erro? 


E por falar em falhas, já notou como estamos o tempo todo nos contradizendo? É que a gente sabe de muita coisa mas faz aquilo que garante o sono e quando se arrisca perde a referência completamente. Em alguns casos, essa dissonância gera colapso paralisando por completo nossa vontade de encontrar um caminho no meio dessa inominável condição de ser: é que a gente precisa dar nome às coisas (de sentimentos à situações). 


Mas como dar nome há algo que está existindo pela primeira vez dentro de você? Algo que você nem sabe exatamente o que é? Seus pais não sentiam isso, seus avós muito menos, talvez seus amigos, mas isso não é algo que a gente joga no papo toda hora, ainda mais quando você acha que todo mundo tá muito seguro vivendo suas escolhas acertadas menos a gente (pelo menos é o que parece ali no Instagram né?)


Querem nos massificar, sempre quiseram. Querem nos convencer de um monte de coisa que ajuda a aniquilar nossas individualidades, mas eu suspeito que o melhor é deixar a espada entrar e cortar em pedacinhos cada uma das nossas possibilidades, porque cada caquinho delas poderá ter asas para fugir de nós e povoar o mundo à força.


Como organizá-las? Essa não é a pergunta, talvez a pergunta certa é por que queremos tanto organizá-las? Fazemos de tudo para derrubar o espírito que paira sobre as águas, queremos que ele entre na lógica e diga haja luz antes do 7° dia, mas não é assim que funciona com o caos, ele não tem relógio.


Talvez a habilidade essencial do presente seja suportar as horas antes de acordar. Nem tudo vai suportar raiar o dia, algumas coisas ficarão pela madrugada mesmo. É melhor deixar a porta aberta e convidar a ausência para conversar, ela tem muita coisa para nos dizer. Os loucos sempre estão à frente de novos dias.


tema de 8 a 14.11: espadas


O naipe de espadas diz sobre algo que acontece no plano mental: a racionalidade, a ideologia, a verdade. Mas também fala sobre os problemas que só existem na nossa cabeça, que tanto nos pressionam e criam grandes conflitos internos. Que tal falarmos mais sobre isso? Publique no seu blog e participe da blogagem coletiva: #estacaoblogagem.


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