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Ensaio da visão

By sexta-feira, julho 21, 2017







Fechei os olhos para poder enxergar melhor. Aquele som que vinha de dentro queria me levar a outro lugar que outrora só consegui vislumbrar longe e mesmo assim, já me fascinava. Senti como se todas as escamas que faziam parte do meu corpo há anos, tivessem caindo... sentia um pouco de frio por estar exposta, mas a sensação de nudez me deixava estranhamente confortável.

Depois deste momento, me cobri levemente com os braços, e comecei a lembrar de como e quando aquelas escamas surgiram. Senti uma leve ausência de ar, e o meu fôlego começou a ofegar. Era como se eu mesma quisesse dizer algo a mim e não conseguisse falar.
Não precisava. Aquela respiração já dizia tudo.

De repente comecei perceber que minhas costas estavam formigando, passei as mãos e vi que alguma coisa queria romper minha pele. Gritei, primeiro de susto, depois de dor. Foi insuportável, mas não adiantava gritar. Eu estava sozinha, acompanhada de mim e da minha metamorfose.

Era meu fim, eu pensava. E era mesmo. Eu morri, e aquela canção embalou minha morte várias e várias vezes. Era um ritual fúnebre para um cadáver cansado, perdido e muito asqueroso. Quando acordei da minha morte, eu tinha asas. É o começo de um novo fim.

Chega de Lagarta.


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