Diário de uma Lagarta

24 de agosto de 2021

terça-feira, agosto 24, 2021

Bad Trip



(Aqui vai um monte de metáfora porque não posso perder a chance da riqueza que ela finge agregar nesse texto)

São 14:55 de uma terça-feira e ela já está na segunda taça de vinho, curiosamente, teve um lampejo de lucidez e tomou um remedinho para não ter tanto efeito colateral desse momento bizarro que subitamente se permitiu ter. 


Colocou Duda para tocar, e está sentindo tanto! É como se tivesse aberto a caixa preta de um avião antes dele colidir num muro de concreto. É muito ruim não conseguir ser esse muro. Infelizmente descobriu que é o avião e a caixa preta está prestes a desgraçar sua autoimagem. Mas tudo bem, a alienação vai conseguir transformar tudo que sente em nada - a viagem dessa bad é o que vai salvar seu voo imbecil em um laguinho raso como a sola de uma havaiana velha - puta que pariu que sentença foi essa? 


Do absoluto nada ela se pergunta: isso tudo é culpa dele? E a consciência (maldita) logo responde: claro que não. É culpa dela mesma, ela não consegue manter o controle de nada, sua cabeça é fudida demais para não inventar qualquer coisa insignificante que tire ela da realidade, já não suportava mais conviver com tanta solidez e existencialismo. Estava sedenta por uma ilusão que valesse cada gota do seu Cabernet.


Chegou a conclusão que, o vazio que lhe preenche desde o momento que se percebeu existente (ela tinha 5 anos) é muito pior que qualquer brincadeira adolescente gritando "você já tem 30 caralho".


Entendeu cada uma das pessoas que por um momento assim desistiu de tudo, e partiu para a memória eterna das outras pessoas que nunca se lembraram o suficiente para perguntar se elas queriam companhia no precipício. Ah, como o ser humano é patético e egoísta. Mas ela não achava que era assim, lutava contra o altruísmo exacerbado que veio instalado de fábrica: todo egoísmo à mostra era só mentira das mais deslavadas. 


Enfim, mais uma tolinha enganada por sua própria vaidade, ou uma boba qualquer que poderia ser enganada por qualquer psicopata que quisesse lhe tirar tudo. Mas ela não teve essa sorte. Teve que lidar com tudo no real sem ter a quem culpar - e você sabe o que isso significa né? 


A viagem ainda está longe de terminar. Aperte os cintos. E sinta muito por ela só não sinta pena, você não sabe o quanto ela é mentirosa quando está vulnerável e carente por atenção. Mas não finge que não sabe do que se trata, ela sabe que você sabe. Nós sabemos! 


(É aqui que você desce mas continua viajando)




14 de novembro de 2020

sábado, novembro 14, 2020

Potências & Problemas





Ter múltiplas potencialidades parece ser mais um erro que uma solução criativa para problemas que não teríamos: é que embora a gente saiba que o presente é uma malha tecida por diversidade, somos filhas da lógica industrial linear, pseudo-segura, homogênea e sem espaço para novidades falhas. E quem garante acerto sem tentativa e erro? 


E por falar em falhas, já notou como estamos o tempo todo nos contradizendo? É que a gente sabe de muita coisa mas faz aquilo que garante o sono e quando se arrisca perde a referência completamente. Em alguns casos, essa dissonância gera colapso paralisando por completo nossa vontade de encontrar um caminho no meio dessa inominável condição de ser: é que a gente precisa dar nome às coisas (de sentimentos à situações). 


Mas como dar nome há algo que está existindo pela primeira vez dentro de você? Algo que você nem sabe exatamente o que é? Seus pais não sentiam isso, seus avós muito menos, talvez seus amigos, mas isso não é algo que a gente joga no papo toda hora, ainda mais quando você acha que todo mundo tá muito seguro vivendo suas escolhas acertadas menos a gente (pelo menos é o que parece ali no Instagram né?)


Querem nos massificar, sempre quiseram. Querem nos convencer de um monte de coisa que ajuda a aniquilar nossas individualidades, mas eu suspeito que o melhor é deixar a espada entrar e cortar em pedacinhos cada uma das nossas possibilidades, porque cada caquinho delas poderá ter asas para fugir de nós e povoar o mundo à força.


Como organizá-las? Essa não é a pergunta, talvez a pergunta certa é por que queremos tanto organizá-las? Fazemos de tudo para derrubar o espírito que paira sobre as águas, queremos que ele entre na lógica e diga haja luz antes do 7° dia, mas não é assim que funciona com o caos, ele não tem relógio.


Talvez a habilidade essencial do presente seja suportar as horas antes de acordar. Nem tudo vai suportar raiar o dia, algumas coisas ficarão pela madrugada mesmo. É melhor deixar a porta aberta e convidar a ausência para conversar, ela tem muita coisa para nos dizer. Os loucos sempre estão à frente de novos dias.




tema de 8 a 14.11: espadas


O naipe de espadas diz sobre algo que acontece no plano mental: a racionalidade, a ideologia, a verdade. Mas também fala sobre os problemas que só existem na nossa cabeça, que tanto nos pressionam e criam grandes conflitos internos. Que tal falarmos mais sobre isso? Publique no seu blog e participe da blogagem coletiva: #estacaoblogagem.


7 de novembro de 2020

sábado, novembro 07, 2020

O dia no planeta pandemia



Era cedo. Bem cedo, aquela hora sobre a qual se escrevem livros e chamam de milagre, sabe?
Se com o canto da vista eu queria aproveitar o dia com antecedência, com o avesso da alma eu queria dormir infinito.

Não bastasse essa lida doída entre eu e minha sombra, a agenda gritava bom dia. Gritava mesmo, a Alexia me dizendo a hora e simulando o som de chuva é a companhia mais legítima que eu consegui me dar nos últimos meses.

Decidi levantar e enfrentar a cachoeira sem graça daquele cômodo habitual, mas que já foi muito especial em tempos normais. Nada é mais incomum que reinventar a disputa por sentir as gotas tímidas do chuveiro velho.

Ritual feito, agora era a hora certa de sentar na cadeira do escritório e começar o dia com fé direito e muita leveza. Mas a alma disse não. Estava tudo no lugar certo, corpo, mente, projeto, perspectiva, mas estava faltando a ausência que move, faltava ela. Ou talvez, quem sabe, quisesse apenas cumprir um tipo de papel biológico de existir em repouso. Dizem que economizar energia é sinal de inteligência evolutiva quando se tem tão pouco em estoque.

Fato é que esse corpo deitou e não me obedeceu mais. Era inútil lutar contra. A gente tá cansado né? É como se estivéssemos ateus de esperança e não há sono que renove esse despertar mágico. Acordei 4 horas depois, totalmente frustrada por estar atrasada para meu futuro, e por me estar presa ao meu corpo envelhecido pela juventude adiada.

Foi nesse sopro de inviabilidade que começou o dia, só a espera pela organização do caos poderia permanecer, o resto era aquela já conhecida sobra de ausência, que estava sumida, mas achou espaço logo em dia de feira. Fui tentar consultar minha sorte, mas o plano venceu, mudei de novo, e retirei do investimento o que já não fazia sentido. Vou ter que esperar o plano gratuito. Será que agora eu consigo? Deixei pra lá.

Eu queria que esse dia tivesse uma reviravolta digna mas o melhor dele foi agora, finalizando esse texto, com um pouco de incômodo por torná-lo público, mas ao mesmo tempo, pensando que é necessário sustentar nossas ausências, possibilidades e estranhezas.

Daqui vinte minutos a folha branca me convidará para mais uma dança. Que a inquietude tire uma soneca e me deixe acordar de novo, só que agora por dentro.

 



 

 

8 de junho de 2018

sexta-feira, junho 08, 2018

A morte do desejo



Morreu e deixou uma mensagem para ela, no meio das coisas achadas, numa folha de caderno. Ela sofreu, se sentiu culpada, achava que deveria ter dito coisas a mais, coisas que supostamente não disse. Chora, começa a investigar como foi que tudo aconteceu, pergunta amigos, vai atrás de pistas. Acorda. Cai em si, lembra que ela e a tal pessoa não se falam mais como antes. Se sente estranha, pega o celular e ameaça fazer o que qualquer pessoa faria, falar com a pessoa, perguntar como está, tentar sondar sobre sua vida, invadir o silêncio, a distância e o abismo de coisas só existiram na sua imaginação. Fingiu por um segundo que não entendeu o que aquilo significava. 

Assim ela fez o que nem todo mundo faria, respirou antes de fazer qualquer coisa, fechou o coração, levantou e lavou o rosto, fez uma viagem à realidade, trouxe de volta os fatos, abraçou a verdade e pediu que ela não te virasse o rosto, nem falhasse com ela. 

Mas a verdade veio junto com o abrir dos olhos naquela manhã, a morte do que nunca existiu foi um grito maior do que qualquer tentativa de contar uma bela história que não acha fundamento. A verdade falou com aquela dor de reviver memórias e disse o que ela custou a admitir lá atrás quando tudo aconteceu. 

Morreu. Morreu mesmo, há muito tempo, a pessoa, a história que ela contou, o sentimento que criou e a razão de existir desse espaço que ainda lhe habitava. Essa era a oportunidade do enterro. Era o velório que já foi feito há muito tempo, mas por alguma razão, o inconsciente não deixava perceber. Hoje ele preparou a cerimônia e ela compareceu.

Sempre podemos ressuscitar os defuntos ou enterrá-los de vez. Hoje a verdade pediu por favor deixe os mortos cuidarem dos mortos, cuide da vida que te habita no presente. Deixe o passado gritar sozinho, você já não está lá. Ela ouviu e mais uma vez acordou, agora por dentro.



30 de janeiro de 2018

terça-feira, janeiro 30, 2018

Gente de verdade


Gente de verdade sente medo, vira a noite pensando num jeito de mudar de vida, sente desespero.
Gente de verdade não tem resposta feita pra tudo. Não sabe o que fazer quando todos os problemas resolvem aparecer juntos. Tenta mais uma vez, outra, e de novo, apesar de todos os pesares, apesar da exaustão dos milhares de dias claustrofóbicos. 

Gente de verdade perde a mão da poesia, tem cegueira momentânea, esquece dos dias de brilho e se apega ao choro sem fio na madrugada. 

Gente de verdade perde a esperança, chega à conclusão que sobra mais falta que sentido, cai no infinito instantâneo difícil de sair, uma solidão insistente, a de existir consciente à realidade, nua e crua. Você está em alto mar, se não remar, vai afundar.

Gente de verdade cansa. Cansa de tentar dar certo num sistema feito pra você errar. Quem conseguiu ter fôlego a mais, chega mais calmo. Mas essa gente da lida, tá lutando para respirar.

Luta. Gente de verdade luta. Contra si mesmo, contra as circunstâncias, contra a maré, contra tudo. Gente de verdade se supera. E essa é a única coisa que essa gente faz diariamente, sem cansar.


Si Caetano

12 de janeiro de 2018

sexta-feira, janeiro 12, 2018

Disseram que todos estão mal





Todo mundo está mal. É isso mesmo que você pensa?
Que não tem saída, que está tudo um caos?
Que o mundo não tem jeito, que a vida não tem sentido?
Que sua vida é uma mentira, que ninguém sabe o que está fazendo?
Que estamos sozinhos, que o amanhã não precisa vir?
Será que você está pensando ou apenas ecoando?

Não quero comparações. Só quero constatar
Se o espiral de tristeza que a alma entra
é alimentada pela visão turva de quem não consegue
enxergar o cinza,  alguém jogou o branco no meu breu.

Tem gente muito bem. Se é que você me entende.
Gente que olha pro céu e sorri,
que sente paz no travesseiro, ao terminar o dia
Tem gente muito bem sim. Que não está fingindo no instagram.
Gente que aprendeu a anotar pequenas conquistas
que sente a água escorrer pelo corpo em euforia.

Não, não tá todo mundo mal. Pelo menos não o tempo todo.
É que a gente tem essa mania, acha que as coisas são inertes
como a nossa teimosia. A vida é cíclica. Não fixa.
E o que isso significa? Cada um com sua empatia.

Minha alma que é feita de nuvem, choveu por dentro
e sem querer, limpou minha visão. Minha consciência
aproveitou o descuido e me disse: As conclusões que ela tira
são baseadas em fatos ou em antipatias?

Sentimos desconfortos sutis e queremos jogar a vida no lixo
como se um grito atravessado fosse suficiente pra concluir:
nada faz sentido. Calma. Calma aí.

O mundo é o que a gente vê por dentro.
Eu vejo meu gato, minha caneca preferida e um pote de açaí.
Foi assim que cheguei ao fundo do poço. Mas, foi assim que saí.

Pede desculpas, fala mais baixo, escolhe melhor as palavras
compra seu petisco favorito, vai se dar prazer um pouco,
descobre o que te faz rir, o que te dá prazer e depois disso tudo
com seu coração descansado, pensa de novo.
Acho que tem gente feliz por aí.  É só um palpite.

Si Caetano
Belo Horizonte

9 de janeiro de 2018

terça-feira, janeiro 09, 2018

Uma carta para ela


Arte: Andreia Salvan Pagnan: "Invisible".

Não vou me apresentar, vou direto ao ponto,
leia isso antes de qualquer decisão:

Não se viole. Nem por você mesma!
É que depois que passar o desejo, você vai acordar sozinha
e terá que ser forte para juntar todos os cacos e tocar a vida
Mas acredite: você não terá forças.
Isso vai te sugar até a última gota.

Ferida, sem ninguém, e com a visão distorcida,
você vai tentar se colar inteira. Deprimida.
Vai conseguir, aos poucos. Mas o tempo não vai
te esperar querida, e essa dor dilacerará sua alma.

Não há remédio na vida que apague memórias.
Isso vai mudar você. Você será moída.
Seu pó se misturará ao vento da ausência.
Suas peças não voltarão a ser inteiras.
Serão substituídas.

Remendos feitos na correria pra suportar os dias.
E por falar em dias, eles vão passar devagar
quando você se lembrar de tudo,
e muito rápido quando você conseguir esquecer.
Será um ciclo impiedoso.

Você ficará tão rígida que não terá paciência
para as coisas mais básicas da vida: como se apresentar
a estranhos, ao iniciar uma carta, por exemplo.

É por isso que te suplico: preste atenção ao que eu
não digo. Você sabe do que estou falando.

Se você me perguntar se não haverá nada de bom nisso,
eu respondo: é claro que haverá. No final você vai
ver o melhor daquilo que viveu e vai começar a escrever
pra não perder o sentido. Mas é só isso que sobra no final.

Depois dos sustos, da solidão, da rejeição, do medo.

Você quer ficar com as sobras?
Espero que você entenda, você que está me lendo.
Acolha essas palavras.

Vai por mim, de sobras eu entendo.

Si Caetano🦋 - 09/01/2018

21 de julho de 2017

sexta-feira, julho 21, 2017

Ensaio da visão







Fechei os olhos para poder enxergar melhor. Aquele som que vinha de dentro queria me levar ao lugar que outrora só consegui ver de longe e mesmo assim, já me fascinava. Senti como se todas as escamas do meu corpo estivessem caindo... foram anos e anos assim. Sentia um pouco de frio por estar exposta, mas a nudez me deixava estranhamente confortável.

Me cobri levemente com os braços. Comecei a lembrar de como e em que momento aquelas escamas surgiram. Senti uma leve falta de ar, meu fôlego falhou. Era como se eu mesma quisesse me dizer algo mas não podia falhar. Não precisava. Aquela respiração já dizia tudo.

De repente comecei perceber que minhas costas estavam formigando, passei as mãos e senti que alguma coisa queria romper minha pele. Gritei, primeiro de susto, depois de dor. Foi insuportável! Eu estava sozinha, acompanhada apenas pela metamorfose, não adianta gritar.

Era meu fim, eu pensava. E era mesmo. Eu morri, e aquela canção embalou minha morte várias e várias vezes. Era um ritual fúnebre para um cadáver cansado, ferido e muito velho. Quando acordei da minha morte, eu tinha asas. É o começo de um novo fim.

Chega de Lagarta.


20 de maio de 2017

sábado, maio 20, 2017

Para não esquecer



Hoje, especialmente hoje, um sentimento aterrorizante me visitou. Parece que eu cai em mim e voltei ao ponto crítico de uma parte da minha alma que custo a exorcizar: aquela parte cruel que me diz a verdade enquanto eu tento me esconder, me protegendo com ilusões idiotas.  "Você nunca foi amada, não se esqueça disso." Ela me disse. Rebati veementemente, mas entendi. Eu me senti amada e me sinto amada muitas vezes, mas ser amada é algo tão sublime que acho que jamais serei mesmo, nem por mim mesma. 

O que estava ouvindo não vinha só da minha alma, vinha da voz que reprisava tudo o que eu ouvi a minha vida inteira. E não era novidade, novidade seria eu não ser aquela pessoa que vai desculpar quando as pessoas decidem ser babacas. O mais aterrorizante que, segundo elas, pela primeira vez. Eu já fui a primeira vez de muita gente que se descobriu babaca comigo. "Não se esqueça disso". Ouvi e murchei. Naquele momento o gosto de fel tomou conta da minha boca e o sentimento de que "tentam sempre te fazer de lixo para descartar suas merdas" veio forte. Tinha muito tempo que algo não roubava minha alegria. Desde a morte do meu pai não me sentia assim. pensei: vou desabar de novo.

Mas foi diferente. Não me senti lixo. Me senti triste, triste por perder mais um. Mais um ser humano que não fez nada na história da minha vida a não ser me fazer não esquecer que eu não posso esperar nada além do obvio das pessoas. E o obvio há anos, tem sido mais cruel que a verdade.  Se eu parar para pensar mesmo, dá um pavor viver. Mas, não há saída. E eu não quero sair da vida sem que ela me diga exatamente que chegou ao fim. Longe disso. Quero viver, viver bem. Bem longe de viver um filme de baixo orçamento que reprisa semanalmente na sessão da tarde. 

Fiz uma listinha: 

- Não se esqueça que o outro nunca amará você como você merece ser amado. 
- Não se esqueça que você não é lixo, ou descarte de alguém.
- Não se esqueça que você não pode confiar em ninguém, nem em você, 100%. 
- Não se esqueça que se você não confiar um pouco nas pessoas, os relacionamentos são inviáveis.
- Não se esqueça que você não tem culpa por não ser a escolha de alguém. 
- Não se esqueça que por mais que você tenha amigos, eles são pessoas, e sendo pessoas, pensaram no seu umbigo primeiro. 
- Não se esqueça que existem exceções. 
- Não se esqueça de não esquecer quando as pessoas pisam na bola com você. Não se lembre para remoer, se lembre para não cair de novo na mesma cilada. 
- Não se esqueça de lembrar das exceções. Prefira as exceções. 
- Não se esqueça que existe muita coisa boa pra viver, e muitas delas não envolvem outras pessoas. Apenas você e você. 
-Não se esqueça de fazer tudo o que você ama fazer.
- Não se esqueça de sempre reconstruir seus cacos. 
-Não se esqueça que você também é o babaca para alguém. 
- Não se esqueça que no final, tudo é uma grande invenção humana. 
- Não se esqueça que não tem problema não saber para onde ir.
- Não se esqueça que quem te magoa é só um ser humano sem noção, que precisará de ajuda no futuro. 
- Não se esqueça de pedir perdão. 
- Não se esqueça de perdoar. 
- Não se esqueça de tentar. Mas não se esqueça de desistir quando chega a hora. 
- Não se esqueça que o amor é só uma palavra. 
- Não se esqueça que no final, a vida é o que você quiser fazer dela. 
- Não se esqueça de escrever sobre isso. 


Assim fiz. E assim farei. 
Enterrado. Já esqueci.

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